Congresso Nacional: resistência à mudança cobrada pelas ruas

01/08/2013 11:17

 

As casas legislativas – a começar pela Câmara dos Deputados e o Senado Federal – voltam hoje à ativa após recesso regulamentar. Infelizmente, o regresso dos parlamentares não apresenta indicativo de que se tenham rendido à exigência de mudança do modelo político cobrada pela sociedade através das manifestações das ruas. Dessa forma, o próximo período legislativo promete ser turbulento, em vista da recusa de segmentos representativos conservadores em atender ao desejo participativo dos cidadãos.

 

O primeiro alerta foi dado pela retomada das manifestações de rua contra os governos de São Paulo e Rio de Janeiro, nos últimos dias - suficientes para tornar ilusória a suposição de que a sociedade se conformou com o bloqueio oferecido pelas forças dominantes no Parlamento às propostas de mudanças no sistema político brasileiro, sobretudo no que tange à regulamentação dos instrumentos participativos. É falso dizer que os políticos, de uma forma geral, não entenderam às exigências das ruas. Eles entenderam muito bem. Sabem que o povo quer ter parte nas decisões políticas e não aceita mais que estas sejam monopolizadas por quem se diz seu representante, mas que, na verdade, representa apenas a si próprio. 


Os partidos que se recusam a atender a esse pleito da sociedade divorciam-se desta e se apegam à defesa de interesses segmentais, historicamente monopolizadores dos instrumentos de poder, além de darem precedência aos próprios privilégios corporativos e eleitoreiros em detrimento da defesa do interesse público e coletivo. No Congresso Nacional, aprestam-se a barrar as transformações sociais e políticas requeridas por segmentos congressuais lúcidos e pelo próprio núcleo central do governo, favoráveis à regulamentação dos instrumentos participativos (recall, direito de veto a leis pelo povo, convocação de plebiscito por iniciativa popular, e de emenda popular à Constituição). Impedir esse entrave é dever da consciência democrática.


Essa ação proativa, participativa, aliás, foi uma das convocações do papa Francisco à juventude (e aos cidadãos de cada país) como forma de resgatar a política como serviço ao povo, e não mais como via de carreirismo ou como instrumento utilizado por grupos econômicos poderosos para seus próprios fins.

 

 

O POVO- 1/08/2013


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