Mobilização nacional - Dia de protestos na Capital e Interior

12/07/2013 09:09

Movimentos pacíficos pediram redução da jornada de trabalho e mais investimentos em Educação e Saúde

Fortaleza viveu ontem novo dia de protestos. Dessa vez sem atos de violência, a Capital registrou manifestações em diferentes pontos, o que também ocorreu em municípios do Interior. A mobilização de trabalhadores marcou o Dia Nacional de Lutas e aconteceu em diversas cidades do País. Parte da movimentação em Fortaleza começou na madrugada de ontem.

Um dos movimentos partiu, na manhã de ontem, da Praça Portugal, na Aldeota, sendo inicialmente puxado por trabalhadores da construção civil. O grupo seguiu em passeata da Av. Dom Luís em direção ao Paço Municipal, no Centro, e à medida em que avançava ganhava adesão de outros movimentos e sindicatos.

Entre os principais grupos estavam representantes dos movimentos estudantil, negro e de mulheres, além de trabalhadores rurais, servidores municipais e profissionais da saúde. No caminho, os ativistas convocavam as pessoas que estavam nas casas ou comércios para se juntar à mobilização. Nas imediações da sede da Prefeitura, onde o protesto parou, muitos feirantes e lojas fecharam as portas temendo conflitos e vandalismo.

De acordo com informações do vice-presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT-CE), Wil Pereira, a pauta única das centrais sindicais diz respeito à redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais sem diminuição de salário, fim do fator previdenciário, 10% do Produto Interno Bruto (PIB) para a Educação, 10% do orçamento da União para a Saúde e o Projeto de Lei 4.330, que permite a empresas terceirizarem todos os seus empregados.


Reunião

Por volta das 10h30, uma comissão de diferentes sindicatos, partidos e organizações populares foi recebida por assessores políticos do prefeito Roberto Cláudio, já que o gestor está em Brasília. Entre as pautas entregues, a principal foi a redução da tarifa de ônibus em Fortaleza de R$ 2,20 para R$ 2,00. Outras pautas foram a abertura dos postos de saúde no terceiro turno, o fim das remoções por conta de obras de infraestrutura ligadas, direta ou indiretamente, à Copa do Mundo e a confecção das carteiras estudantis, com garantia de repasse para as entidades.

Uma nova reunião deve ser marcada até a próxima semana, quando o prefeito deve voltar de Brasília. Após o encontro de ontem, que durou duas horas, os líderes do movimento se dividiram entre os que seguiram até a Praça do Ferreira, onde outra mobilização ocorria, e os que encerraram os atos, para avaliar os resultados do encontro.

Na avaliação do presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria da Construção Civil da Região Metropolitana de Fortaleza (STICCRMF), Nestor Bezerra, "a mobilização foi boa, parte da população entendeu nosso movimento e nos apoiou".

A tranquilidade marcou a manifestação, sendo registrados apenas alguns atos isolados. No fim da manhã, um pequeno grupo que se juntou à mobilização pichou os muros da sede municipal. Um carro de uma emissora de TV também foi pichado.

A passeata foi acompanhada por cerca de 30 agentes da Autarquia Municipal de Trânsito, Serviços Públicos e Cidadania (AMC), equipados com dez viaturas e dez motocicletas, que fizeram o desvio do tráfego.

O número de manifestantes foi estimado pela Polícia Militar em cerca de mil pessoas. O coronel Carlos Ribeiro, do Comando do Policiamento da Capital, avaliou os atos como positivos e sem registro de violência. "Tinham muitos sindicalistas e estavam ali realmente para fazerem protestos, e não permitiram atos de vandalismo", destacou.

No entanto, temendo atos violentos, alguns lojistas e funcionários do comércio fecharam as portas durante a manhã de ontem. O presidente do Sindicato dos Lojistas de Fortaleza (Sindilojas), Cid Alves, afirmou que a maioria dos estabelecimentos fechou, causando prejuízos ao comércio. "As lojas que optaram por ficarem abertas também acabaram sofrendo prejuízos com a divulgação de que havia lugares fechados", salientou.

Portos

Funcionários de oito empresas situadas no Porto do Pecém, no município de São Gonçalo do Amarante, e do Porto do Mucuripe também paralisaram atividades na manhã de ontem. Às 7h30, cerca de 300 trabalhadores de operadoras portuárias, de logística e de transporte se mobilizaram na entrada do complexo industrial do Porto do Pecém, impedindo a entrada e a saída de veículos e pessoas.

Eles protestaram contra o atraso na inauguração da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Pecém e a falta de delegacias e brigadas de incêndio. A Secretaria de Saúde do Estado (Sesa) informou que a UPA está sendo equipada para a inauguração e aguarda a definição da data de início das atividades. A unidade do Corpo de Bombeiros no local já está pronta, comunicou o órgão, mas também precisa ser equipada.

Já a BR-222, no Km 221, que dá acesso ao município de Sobral, foi interditada na manhã de ontem pelo Movimento Sem Terra (MST). Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), 150 pessoas participaram do movimento. Em Quixeramobim, integrantes do MST também bloquearam a CE-060.

Nas ruas

Reivindicações

Segundo a PM, mil pessoas participaram do protesto no Centro, onde lojas fecharam as portas com medo de vandalismo. Em Sobral, ativistas fecharam a BR-222 

 

 

Fonte: Diário do Nordeste - 12 de julho de 2013.


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